domingo, 2 de março de 2008

Revolução Social



Uma vez em uma aula de história minha professora falava com muito pessimismo sobre o rumo político por onde a sociedade (principalmente no Brasil) se conduzia. Daí perguntei a ela qual seria, na opinião dela, a melhor solução para tal situação. Ela hesitou, mas falou: “na minha opinião só uma revolução resolveria” (entendam por revolução como revolução armada mesmo). Como um adolescente meio revolucionário (e tolo) achei a idéia interessante. Imaginei um rompante social. Heróis proletários. O retorno de Hobbin Wood. E devaneios do tipo. Mas com o tempo, com uma análise histórica mais aprofundada, e com algumas iluminações de um professor de filosofia, percebi que até hoje nenhuma revolução armada, mesmo que partindo do proletariado, conduziu a sociedade a estágios mais evoluídos (se alguém é um profundo admirador do sistema de Cuba não pode se esquecer de que, apesar da saúde e educação serem excelentes, a população é extremamente pobre, ou seja, a revolução teve falhas consideráveis).

Mas uma revolução é necessária. Eu diria até mais. Há uma revolução a caminho. Revoluções ocorrem em momentos de caos. E alguém duvida que o mundo esteja caótico? A natureza em um pandemônio. Os Estados Unidos ruindo. A China requisitando um maior status de poder. E o que é pior. A ignorância social cada vez mais salientada. A violência e a corrupção rompendo a nossa vida cada vez com uma presença mais enraizada e traumática. Se deixarmos livres, os atuais detentores do poder promoverão mudanças que manterão a balança social em desigualdade. Desigualdades que manterão o mundo no caos. Será que nosso comodismo é tão grande que não podemos sair da nossa inércia nem quando decidem o nosso futuro?

Por outro lado há um elemento forte que possibilita uma revolução social. A internet! Cada vez mais as pessoas se comunicam, se relacionam ignorando as distâncias, as diferenças. Uma rede social está propícia para ser montada. Falta apenas a iniciativa. Várias tecnologias dão suporte a isso. Porém estão espalhadas, desorganizadas e são tecnologicamente ínfimas. Utilizamos recursos medíocres achando interessante. Mas há conceitos importantes. A rede social do orkut é uma delas. Conecta pessoas. Possibilita discutir sobre qualquer tema. Infelizmente o propósito em consenso é apenas o lazer: recados, gostos e manias. Conhecimentos e opiniões são sufocados. Mas há suspiros diferentes, meio que perdidos e deslocados. Por exemplo, outro dia achei uma comunidade interessante: “1/2 intelectual 1/2 d esquerda”. Nela tinha um fórum intitulado Revolução Proletária. Achei meio leviano a maioria dos recados. Mas achei o tema interessante e resolvi comentar. Segue abaixo minha opinião sobre o tema lá postado.

“A revolução tem que ocorrer nas pequenas coisas que devem ser disseminadas. A honestidade não pode ser considerada démodé. Temos que banir a praga do “jeitinho brasileiro” e coisas como “Você sabe com quem está falando”. É muito fácil para nós meio revolucionários e meio de esquerda simplesmente criticar o sistema sentados na mesa de um bar pe-de-chinelo, mas continuar sermos a mesma bosta de cidadão, apáticos, teóricos, com tentativas de piquetes para termos mais histórias para contar quando nos sentarmos novamente no mesmo bar para falar dos mesmos assuntos. A revolução não precisa de armas. Não precisa de inversões de poder. Precisa de uma mudança de atitude imediata que vá além das salas universitárias e dos bares meio ruins.

A política não pode estar somente nas mãos dos políticos. Não podemos nos ver como cidadãos apenas nos momentos de eleições ou quando estourar escândalos que nos perturbam por tempo insuficiente para que se resolva qualquer coisa. Educação e solidariedade pode até parecer jargões, mas eu ainda acho que é um bom caminho a se seguir. Ou melhor, esse é o caminho em que marcho tentando lutar nesta revolução”.

Mudar é possível. Basta de discursos. É preciso mudanças. Mudanças de atitudes. Mudanças simples que possam contagiar o próximo e gerar transformações sociais.

Comecemos a nossa REVOLUÇÃO!!!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Hello World

Olá Mundo!!!


Sou um professor de matemática e atualmente estudo Ciências da Computação. Sempre gostei de escrever. E sempre me preocupei em ser crítico sobre a realidade que me rodeia. Assim aproveito esse espaço para expor algumas de minhas idéias e opiniões.

Em informática o termo "hello world" está profundamente disseminado nos estudos iniciais de uma linguagem de programação (normalmente o primeiro exemplo sugerido a quem está iniciando o estudo em uma linguagem de programação é exibir na tela do computador a mensagem “hello world!!!” – ou “olá mundo!!!”). Mas essa foi apenas uma explicação sobre o título deste primeiro post e não tem relação com o propósito do blog (não vou me estender no assunto de informática).

Na verdade não estou escrevendo com a pretensão que alguém leia. Escrevo para gritar ao mundo, a quem dou um “olá” mesmo sem ele ser cordial, o que acho sobre ele. Escrevo com a esperança de tentar fazer a minha parte em algo que, apesar de me rodear e influenciar meu cotidiano social e político, muitas vezes está oculto aos meus olhos. Escrevo para falar das belezas e maldições das quais estamos imersos. Enfim, escrevo por isso... por aquilo... porque gosto... porque quero... porque...

Este será um espaço para apresentações, e tomara, discussões sobre temas que nos movem e muitas vezes são omitidos pela nossa miopia social. Somos os cordeirinhos perfeitamente educados para dizer sim. Barquinhos ao sabor da maré.

E por isso me pergunto quase que diariamente: até quando? Até quando deixarei que decidam minha vida por mim? Até quando terei que engolir o SUB quando se referem ao desenvolvimento de minha nação? Até quando o presidente de um país em outro hemisfério tem o poder de ditar regras que obedeço até sem saber? Até quando minha pátria não vai ser minha? Até quando os revolucionários serão medíocres? Até quando a fraternidade e a educação será démodé? Até quando vamos nos contentar com tão pouco? Até quando...? Ate quando?

Fico feliz em poder escrever. Mas não entendo porque hoje é mais mobilizador falar sobre manias estapafúrdias, porém comuns, em comunidades no orkut, do que falar sobre a nossa vida real (principalmente quando se passa de algumas poucas linhas). Não tenho nada contra o orkut. Mas sonho em um dia podermos usufruir de uma rede verdadeiramente social. “Verdadeiramente” porque não integraria somente as pessoas com recados e comunidades sobre manias e gostos comuns. Uma rede de CIDADÃOS que unidos lutariam por algo que vai além do alcance do seu umbigo. Sonho, sim. Utopia, não. O mundo muda! Isso é fato. A internet vem criando revoluções silenciosas, mas perceptiveis. O caos gera mudança. E alguém duvida do caos político-social a que estamos submetidos? "Esse caos vigente é um sinal de que algo está para acontecer", já dizia Raul Seixas.

Mudanças ocorrem, é fato. Elas ocorrem mediante a influência das classes dominantes. Infelizmente a história nos mostrou domínio apenas através de armas e dinheiro. O poder bélico e monetário esmagou sempre as maiorias alienadas e desorganizadas. Quem sabe essa maioria, pela primeira vez na história, para de esperar um salvador e luta para se salvar, para se libertar, para evoluir. Quem sabe essa maioria domina o que lhe é de direito: o controle sobre sua vida.

Infelizmente, na maioria dos casos, quando alguém toca em alguma sujeira que está debaixo do tapete, a resposta dada pela maioria resume-se ao “é complicado!”. Complicado é a nossa alienação social. Complicado é a inércia a que estamos comodamente submetidos.

Pois é. É complicado.

Eu também acho.